05 November 2007

I am not I (9)

Ezulwini valley, Swaziland, 2004

A ideia de mãe-África, de ligação ancestral ou de África-berço-da-Humanidade sugere-me normalmente a existência de um complexo identitário. E o mais interessante é que nem sei até que ponto contra mim falo.

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26 July 2007

I am not I (8)


"Je danse. Donc je suis".

(Leópold Senghor)

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08 July 2007

I am not I (7)

Luciano Costa, "Afirmação", óleo sobre tela, livraria Centésima Página.

Aicha e-Wafi é mãe de Zacarias Moussaoui, condenado a prisão perpétua, por cumplicidade nos atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos. Depois de uma infância feliz em Marrocos, com os tios liberais para a cultura muçulmana, Aicha el-Wafi casou aos 14 anos, à força, e acabou violada, espancada e explorada pelo marido. Aos 22 anos, Aicha tinha quatro filhos, dois já tinham morrido bebés depois de, grávida, ter sido espancada por Omar, o homem a quem o irmão a entregou e que já tinha estado preso por cegar a ex-mulher. Consegue divorciar-se e fugir para França, deixando as crianças num orfanato até conseguir ter trabalho. Torna-se funcionária da limpeza dos correios franceses, estuda, compra uma casa e reúne a família.
Aicha referiu que quando chegou a França se sentiu como uma estrangeira que aí se sentia integrada. Tratou-se da principal diferença em relação às segundas gerações de emigrantes: franceses que se sentem franceses desintegrados no seu próprio país. Segundo Aicha, “Eu amo a França. Mas não como ela me ama a mim”.

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30 March 2007

I am not I (6)

London, 2006

Nunca os seres Humanos tiveram tantos conhecimentos em comum, tantas referências comuns, tantos símbolos comuns e, ao mesmo tempo, talvez nunca tenham vincado com tanta força a sua diferença. A mundialização acelerada provoca, como reacção, um reforço da necessidade de identidade. I am not I…

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22 March 2007

I am not I (5)

Cahkt–Metepbyptcknñ (Saint-Petersburg), 2002

Uma identidade constitui uma página em branco, onde cada qual vai desenhando o seu próprio percurso. É isso que a torna dinâmica, complexa, única e inconfundível. A minha identidade é o que faz com que eu não seja idêntico a outra pessoa.

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17 March 2007

I am not I (4)


Arendt explicou que foi quando se sentiu atacada como judia que percebeu que se tinha que defender como judia e não como cidadã alemã ou qualquer outra coisa. Todas as grandes atrocidades que se operaram nos últimos anos resultaram de atávicas e contenciosas concepções de identidade. “Nós” fomos sistematicamente os inocentes e, “eles”, eternamente os culpados.

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16 March 2007

I am not I (3)

London, 2007

Um muçulmano é distinto de um cristão como, ele próprio, é distinto de todos os outros muçulmanos. Por comodidade atribuímos às pessoas do mesmo grupo os mesmos comportamentos e características. Quanto mais numerosas forem as minhas pertenças, mais específica e única é a minha identidade.

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11 March 2007

I am not I (2)


A negritude constitui um conceito de origem francófona, desenvolvido por indivíduos de descendência africana, nascidos nas ex-colónias francesas. Esses intelectuais criaram um movimento cujo objectivo se orientava para a união de todos os “negros”, de forma a combater a discriminação a que eram submetidos e a revalorizar o seu papel político e sócio-cultural.


A negritude traduzia um conjunto de traços que se defendia serem característicos do “negro”, como a solidariedade, a capacidade de emoção ou a importância conferida ao simbólico e ao sagrado. Defensora da ideia que a cor da pele deflagra uma identidade comum, esta ideologia foi criticada pelo facto de veicular um essencialismo africano, imaginado por uma elite intelectual, alheia à heterogeneidade das populações do continente. A negritude constitui, por isso, não só uma reacção como uma extensão das ideologias racistas coloniais.

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08 March 2007

I am not I


A grande maioria das pessoas identifica-se com uma tradição religiosa, com uma nação, com um grupo étnico ou linguístico, com uma província, com um bairro, com um grupo político, com um grupo desportivo, com um grupo de amigos… Mas esses elementos podem estar presentes, muitas vezes de forma contraditória, diferentemente combinados em cada uma das pessoas. É aí que reside a riqueza de cada um, de cada identidade.

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